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talidomida

Notoriamente lembrado como um importante escândalo farmacêutico há aproximadamente 60 anos, sobre o qual já comentamos aqui no site em alguns textos, a talidomida causou graves defeitos congênitos, muitas mulheres grávidas levaram a droga como remédio para a doença matutina. Entretanto o fármaco, vem tendo novas aplicações, talidomida e seus derivados têm sido amplamente utilizados para tratar doenças malignas hematológicas como o mieloma múltiplo, e mais recentemente contra o infarto cerebral.

Cientistas da Universidade de Waseda e da Universidade de Tóquio de Farmácia e Ciências da Vida estudaram a proteína alvo de talidomida, cereblon (CRBN) e sua proteína de ligação, proteína quinase ativada por AMP (AMPK), que desempenha um papel importante na manutenção da homeostase de energia intracelular no cérebro.

O infarto cerebral

O infarto cerebral é uma doença em que o cérebro se torna deficiente em oxigênio e energia.

Deficiência ocorre em função da estenose e obstrução de vasos sanguíneos cerebrais.

Estes eventos causam danos nas células cerebrais e, em última instância, levando à morte das células nervosas.

O infarto cerebral é um tipo de acidente vascular cerebral, conhecido como AVC isquêmico.

O infarto cerebral é uma das principais causas de morte em todo o mundo e causa vários distúrbios graves.

A talidomida

A talidomida é teratogênica conhecida por induzir defeitos congênitos, veja aqui sobre vítimas que buscam receber indenização.

Entretanto, mais recentemente a talidomida e seus derivados foram fonte de boas notícias farmacológicas.

Derivados Lenalidomida e pomalidomida são amplamente utilizados para tratar doenças malignas hematológicas.

Incluíndo mieloma múltiplo (MM) e síndrome mielodisplásica associada à deleção 5q.

Estudos relatam efeito da talidomida em células neuronais, incluindo danos neuronais resultantes da isquemia cerebral focal 1.

Relatos apontam que a talidomida tem um efeito protetor isquêmico cerebral em ratos, reduzindo o estresse oxidativo e a resposta inflamatória.

No entanto, o mecanismo molecular detalhado do efeito neuroprotetivo da talidomida ainda não foi elucidado.

Como talidomida age no infarto cerebral

O estudo mostrou que a talidomida inibe a atividade de AMPK via CRBN sob estresse oxidativo e suprime a morte das células nervosas.

A AMPK é a principal proteína de sinalização que participa da neuroproteção induzida por talidomida na isquemia.

O CRBN é identificado como uma proteína alvo da talidomida. O CRBN funciona como um receptor.

A análise quantitativa mostrou que a talidomida reduziu significativamente as áreas de infarto na fatia 4 em comparação com o grupo de estudo.

O tratamento com talidomida reduziu significativamente o volume do infarto e os déficits neurológicos de ratos.

Consideraram que a interação AMPK-CRBN foi alterada quando a ação neuroprotetiva da talidomida ocorreu em células sob condições isquêmicas.

Resultados animadores

Resultados sugerem que a talidomida inibe a atividade de AMPK através de CRBN sob estresse oxidativo e suprime a morte das células nervosas.

A administração de talidomida reduziu a área do infarto, sustentando que a talidomida é eficaz para a isquemia cerebral.

Responsável por diversos problemas teratogênicos no passado, a talidomida com seus derivados pode trazer agora boas notícias, ajudando tratar doenças.

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silvanocv@gmail.com

Farmacêutico Bioquímico. Escreve sobre exames laboratoriais, testes de farmácia e tecnologia em saúde. Compartilha neste site que fundou em 2006 as experiências adquiridas dentro de um hospital.

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