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Quando assumi a coordenação do setor que eu trabalho, em 2002, a secretária do laboratório usava o word para digitar os exames, tinha um modelo de laudo para cada exame que era realizado, gravado no “meus arquivos”, digitava, imprimia, apagava e assim fazia todos os 6 mil exames de cada mês realizados nesta época, era o programa de laboratório usado no setor.

Logo que entrei comecei a procurar maneiras de agilizar o trabalho, aumentar a produção, entregar resultados mais rápidos, mas não poderia fazer isso sem interferir em alguns processos de trabalho. Decidi investir em duas frentes, automatizar o setor de bioquímica e informatizar o setor de digitação.

Procurei os colegas da Tecnologia em Informática para me oferecerem um apoio e criarmos uma informatização própria, não queria algo pronto, que já estivesse com as regras de lançamentos, tabelas e demais procedimentos marcados, gostaria de criar algo de acordo com as nossas necessidades. Começávamos assim a criação do programa do laboratório, implementamos mecanismos de lançamentos de dados, arquivamentos, backups, laudos personalizados, mas o computador era muito fraco para as novas tarefas, outro desafio, sensibilizar direção para conseguir computadores novos, depois de algum esforço, logramos êxito nesta batalha. Sim, nas instituições públicas de saúde, cada ideia deve ser acompanhada de muita luta para que possa acontecer realmente, por mais simples que seja.

Computadores novos, programa funcionando, colegas de trabalho treinados para se beneficiar das vantagens que a tecnologia nos oferece, era momento de novas melhorias, criamos os relatórios, uma praticidade comparados aos relatórios que eu mesmo tinha que fazer com a calculadora do lado e um monte de “pauzinhos para contar”.

Começávamos a eliminar os “livros pretos” de lançamentos de resultados de cada paciente, um trabalho horrível que todos reclamavam, enfim, demos um basta nesta tarefa ingrata. Tudo passava a ser lançado e ficava arquivado, facilmente encontrado futuramente usando apenas o número do prontuário do paciente, já não era necessário buscar em livros pretos ou em planilhas de trabalho estocados em caixas.

Fomos criando, mudando de acordo com as necessidades, adequando-se a cada nova realidade que se apresentava, passamos a abastecer outros setores com as informações geradas pelo nosso programa, reduzindo trabalhos também de colegas, por exemplo, o faturamento e almoxarifado.

Tivemos épocas difíceis, mesmo tendo o programa a nosso favor não conseguimos evoluir como gostaríamos, por várias circunstâncias. Mesmo assim, insistimos, ajustamos, mudamos, criamos, assim fomos evoluindo.

Hoje, ainda não temos um sistema perfeito, mas a evolução é clara, facilmente percebida por profissionais do setor, clientes internos e externos.

E quanto a segunda frente que relatei no início, automatização do setor de bioquímica, somente depois de cinco anos conseguimos concluir esta meta, avançamos também neste campo.

Voltando a informatização, podemos dizer que hoje temos resultados que são liberados mais rapidamente, relatórios precisos, menos retrabalho, menos tempo perdido tentando localizar exames antigos para liberar segunda via.

O melhor de tudo é que a ideia disseminou pelos outros setores do hospital, hoje quase todos estão com sistemas de controle de dados funcionando e sendo alimentados ininterruptamente. E foi esta fragmentação que nos levou a pensar agora em integração.

Sobre esta integração vou falar em outro momento. Quanto ao relato que acabei de fazer, achei que seria interessante para que outros colegas da área soubessem como ocorreu, e outros que não são da área da saúde pudessem visualizar como tudo é difícil no sistema público de saúde, alcançar, mesmo que sejam coisas pequenas, exige um exercício de paciência e persistência. Agora é momento de subir mais um degrau.

4 Comentários
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Vilella,
Trabalhei em laboratórios quando ainda não existia windows, mas imprimia exames através do meu super hiper mega sistema desenvolvido por mim mesmo em dbase IV. hehehehe
Abração queridão

É meu amigo, se não existissem pessoas como você, acho que ainda seríamos “6º mundo” na área de informática!
Parabéns por todas as iniciativas!
Abração

Autor

silvanocv@gmail.com

Farmacêutico Bioquímico. Escreve sobre exames laboratoriais, testes de farmácia e tecnologia em saúde. Compartilha neste site que fundou em 2006 as experiências adquiridas dentro de um hospital.

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