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Em novo estudo realizado no Instituto Médico Howard Hughes (HHMI), cientistas descobriram que o grupo de vírus inativos ou latentes do HIV que normalmente paira silenciosamente no corpo de um paciente, e não são afetados pelas terapias anti-retrovirais, é bem maior do que o esperado. A partir das avaliações demonstrou-se que o reservatório do vírus pode ser até 60 vezes maior do que as estimativas anteriores. Portanto, estes vírus continuam a ser uma forte ameaça, diferente do que se pensava, porque eles mantêm a capacidade de tornar-se ativo mesmo após o tratamento com os melhores medicamentos para o HIV.

De certa forma é um banho de água fria nas recentes descobertas e novidades que surgiram na área científica. Publicado na revista celular, o estudo leva a acreditar que os esforços para erradicar o HIV podem ser ineficazes a longo prazo, se as terapias não conseguirem atingir os vírus inativos, os chamados provírus.

Os resultados do estudo mostraram que, entre os 213 provírus HIV isolados a partir dos reservatórios de oito pacientes e, inicialmente, que não respondem a estímulos biológicos altamente potentes, cerca de 12% mais tarde poderão ainda tornar-se ativo, e foram capazes de replicar seu material genético e transmitir a infecção a outras células.

Um dos pesquisadores Robert Siliciano, no The Johns Hopkins University, que assina o estudo, afirma:

“Os resultados sugerem que há muito mais desses provírus para se preocupar do que pensávamos”

Ya-Chi Ho, um pesquisador estudante HHMI, afirma: Não acho que qualquer teste estava dando uma imagem completa do reservatório do vírus inativo. “No caso de ambos os ensaios, não ficou claro se o que estava sendo medido foi o reservatório inteiro”, diz Ho.

Quando se calculou o novo tamanho do reservatório viral, Siliciano e Ho avalia que o reservatório de formas latentes do HIV escondido em células T imunológicas infectadas, pode ser 60 vezes maior do que as estimativas anteriores. E completa – “Este é um enorme aumento na barreira para a cura desta doença”.

Mesmo que um paciente é tratado com sucesso com medicamentos anti-retrovirais que param toda a atividade de replicação do HIV, vírus silenciosos poderia ativar e causar doença em qualquer ponto após a terapia anti-retroviral. Medicamentos visando os vírus inativos são obrigados a levar a uma cura completa, ou remissão, do HIV, pode acontecer.

Isso vem de encontro ao que pesquisadores diziam, quando relatei no texto “a cura da AIDS” mencionada na revista superinteressante, Gean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas de São Paulo, considera que temos que ser cautelosos quando o assunto é a cura da aids. “Os estudos indicam algumas possibilidades em situações especiais, mas não é algo que podemos estender para todas as pessoas infectadas pelo vírus HIV”.

Dizem que a reativação parece ser aleatória, ainda não concluíram sobre o que pode levar a esta nova atividade do vírus, este é o próximo passo, principalmente para encontrar a nova geração de medicamentos de combate a HIV.

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silvanocv@gmail.com

Farmacêutico Bioquímico. Escreve sobre exames laboratoriais, testes de farmácia e tecnologia em saúde. Compartilha neste site que fundou em 2006 as experiências adquiridas dentro de um hospital.

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